
O mercado de medicamentos estéreis, especialmente aqueles de alta complexidade, exige padrões rigorosos de qualidade, segurança e rastreabilidade. No caso de farmácias magistrais que atuam com preparações injetáveis, a infraestrutura do laboratório passa a ser um dos pilares da conformidade regulatória e da proteção do paciente.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece diretrizes claras para esse tipo de manipulação. Entre os documentos centrais estão a Nota Técnica Nº 92/2024/SEI/COINS/GIMED/GGFIS/DIRE4/ANVISA e o Anexo IV da RDC nº 67/2007, que trata das Boas Práticas de Manipulação de Produtos Estéreis (BPMPE) em farmácias.

Tirzepatida: inovação e requisitos regulatórios
A tirzepatida é um fármaco inovador, agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1, aprovado para o tratamento de diabetes mellitus tipo 2 e com potencial para o manejo da obesidade. Por envolver alta complexidade técnica, sua manipulação exige atenção redobrada aos requisitos regulatórios, a origem do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) e às condições de preparo.
A Nota Técnica Nº 92/2024 esclarece que a manipulação de tirzepatida em farmácias magistrais pode ocorrer desde que o IFA possua registro de medicamento industrializado e que os requisitos da RDC nº 67/2007 sejam rigorosamente atendidos. Essa permissão reforça a necessidade de ambientes controlados, procedimentos validados e equipamentos específicos para garantir a qualidade da preparação final.
Boas Práticas de Manipulação de Produtos Estéreis (BPMPE)
O Anexo IV da RDC nº 67/2007 estabelece as bases para a manipulação de produtos estéreis em farmácias. Essas boas práticas envolvem controle ambiental, qualificação de pessoal, equipamentos adequados, procedimentos documentados e monitoramento constante das condições de processo.

- Instalações: as áreas de manipulação devem ser classificadas, com controle de partículas e microrganismos, acesso restrito, pressão positiva, superfícies lisas e fácil limpeza.
- Recursos humanos: profissionais qualificados, treinados e devidamente paramentados reduzem o risco de contaminação durante o processo.
- Equipamentos: devem minimizar riscos de erro, permitir limpeza e esterilização eficazes e não atuar como fonte de contaminação.
- Água para produtos estéreis: a água utilizada deve atender às especificações fármacopeicas aplicáveis, com purificação e monitoramento constantes.
Equipamentos essenciais para a manipulação de estéreis
A escolha dos equipamentos e decisiva para atender às exigências da ANVISA e sustentar uma rotina de manipulação segura. Em um laboratório estéril, cada equipamento precisa contribuir para precisão, controle, limpeza, esterilização, rastreabilidade e estabilidade do produto final.

Precisao na pesagem, medição e transferência
A pesagem precisa do IFA e dos excipientes é um dos primeiros pontos críticos da manipulação. Balanças analíticas e de precisão ajudam a reduzir desvios de dosagem, enquanto micropipetas calibradas e pHmetros de bancada apoiam a transferência de pequenos volumes e o controle de parâmetros físico-químicos.



Purificação, esterilização e preparo de materiais
A água utilizada em preparações estéreis deve apresentar alto grau de pureza físico-química e microbiológica. Sistemas de purificação de água, autoclaves e estufas de secagem ou despirogenização compõem a base da infraestrutura para preparo, esterilização e controle de materiais.


Homogeneização e estabilidade
A homogeneização da formulação e essencial para uniformidade, estabilidade e desempenho da preparação. Agitadores magnéticos, orbitais e dispersores do tipo Turrax podem apoiar diferentes etapas do processo, conforme a fórmula e o volume manipulado. Já as câmaras climáticas permitem avaliar estabilidade sob condições controladas de temperatura e umidade.


Controle de qualidade de formas sólidas e implantes
Dependendo do portfólio da farmácia e das formas farmacêuticas manipuladas, equipamentos como desintegrador, friabilômetro e durômetro podem ser relevantes para controle de qualidade de insumos, comprimidos, cápsulas ou implantes sólidos. A infraestrutura do laboratório deve acompanhar a complexidade das fórmulas desenvolvidas.


A importância da qualidade e da rastreabilidade
Na manipulação de produtos estéreis, a qualidade dos equipamentos não é apenas uma preferência técnica: ela faz parte da base regulatória e operacional do processo. Equipamentos construidos com materiais adequados, fáceis de limpar e desinfetar, reduzem riscos de contaminação cruzada e favorecem rotinas mais seguras.

O controle rastreável também e fundamental. Equipamentos calibrados, registros documentados e sistemas de monitoramento, como o Dali, permitem acompanhar parâmetros críticos, validar rotinas e demonstrar conformidade com às Boas Práticas de Manipulação.
A infraestrutura de um laboratório de manipulação não é estática: ela cresce e se especializa conforme o portfólio de produtos, as moléculas, as formas farmacêuticas e os processos produtivos escolhidos pela farmácia.
Infraestrutura como base para operar com segurança
A manipulação de estéreis em farmácias magistrais representa uma oportunidade importante para ampliar o acesso a tratamentos inovadores. Ao mesmo tempo, exige compromisso inabalável com qualidade, segurança e conformidade. A demanda por agonistas de GLP-1, como a tirzepatida, criou uma janela de oportunidade real para farmácias que desejam atuar nesse segmento, mas tambem aumentou a atenção regulatória sobre essas operações.
Investir em equipamentos de alta performance, como balanças, cabines de fluxo laminar, sistemas de purificação de água, autoclaves, estufas, agitadores, câmaras climáticas, pHmetros e soluções de monitoramento, e investir na excelencia da manipulação estéril.
A Alfa Mare possui amplo escopo e mais de três décadas de experiência para apoiar a montagem e a qualificação de laboratórios preparados para esse nivel de exigencia.
Referências
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Nota Técnica Nº 92/2024/SEI/COINS/GIMED/GGFIS/DIRE4/ANVISA. Processo nº 25351.804483/2024-41. Solicitação de informações sobre Semaglutida Sintética e Tirzepatida. 2024.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 67, de 8 de outubro de 2007. Dispõe sobre Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais para Uso Humano em farmácias. Anexo IV – Boas Práticas de Manipulação de Produtos Estéreis (BPMPE) em Farmacias. 2007.





